• Susana de Sousa

A Lua Cheia da Crise


No Hemisfério Norte, está a chegar o Outono. Os dias estão mais curtos e já se sente um ar fresco e introspectivo, como se o Verão largasse a roupagem exuberante e deixasse a descoberto a sua vulnerabilidade.


As últimas colheitas estão disponíveis para o nosso usufruto, depois de muito labor. Em termos emocionais, é o momento de provar a plenitude e de saborear as taças cheias de frutos maduros.


O sonho dos deuses é provar a matéria fértil e abundante. Desejam enlaçar-se no corpo de jovens mulheres e homens, e provar as maçãs vermelhas que brilham ao sol poente. Querem sentir, querem experimentar, querem conhecer a Terra e os seus mistérios.


Só que para isso estamos cá nós, os humanos. Feitos de carne, abençoados por sentidos requintados e por inteligência aguçada, podemos dançar no crepúsculo do Verão de mãos enlaçadas e recriar as cenas com que os deuses sonham desde que a crosta da Terra arrefeceu.


Somos filhos da Terra e somos filhos da Luz. Somos pó e escuridão. Somos sonho e somos matéria.


Somos tudo e somos nada.


Estendemos as mãos e colhemos o que semeamos. Isso sabemos. Depois de milénios a trabalhar com as costas curvadas, isso, sem dúvida, sabemos.



A Lua das colheitas


A Mãe-Terra move-se de forma cíclica, e quanto mais nos alinhamos ao seu ritmo, mais fácil se torna aceder à Abundância que tem para nos oferecer.


A Lua Cheia de 21 de Setembro (00h54 em Portugal), em véspera de Equinócio, incide no nosso campo emocional, ativando a porta 36, a porta da Crise. Também designada por “O Escurecer da Luz”, esta é uma possibilidade de viver sentimentos e experiências. Turbulenta, caótica e, por vezes, mágica, a porta 36 fala de mistérios e de passar da inexperiência à experiência, vencendo o medo da inadequação.


“Tudo acerca da porta 36 é sobre o mistério do que a experiência pode proporcionar.” Ra Uru Hu


Do lado oposto, o Sol ativa outra porta emocional, a porta da Fricção (Conflito), onde se decide como e quando nos abrimos à intimidade.


Crise e conflito são essenciais para o crescimento, e a sabedoria é aprender a lidar com eles sem nos vermos como vítimas, mas sim como co-criadores.


Quando percebemos que a Vida desenha os cenários que são necessários para a nossa evolução, não há como não nos sentirmos gratos perante as crises e os conflitos. A Lua Nova da Consciência já nos começou a preparar para algo, e a manifestação desse algo vai depender do nosso nível de consciência e da qualidade das nossas ações.


O foco desta lunação é a abertura ou o fechamento emocional, e a consequente crise que isso pode desencadear. Podemos abrir-nos à intimidade com alguém, quer seja a nível amoroso ou profissional, e perceber que nessa interação surge um momento crítico. Mas a crise também pode surgir devido à necessidade de estabelecer barreiras, de fechar contratos, de quebrar ligações.


Um divórcio ou um fecho de uma parceria profissional podem abalar profundamente a nossa vida, mas inevitavelmente conduzem a um crescimento experiencial. Quem passou por tais situações adquiriu um conhecimento emocional que não podia ter tido de outro modo.


Foi experimentado algo novo e com isso rasgou-se um padrão, o desejo tomou forma, a vida aconteceu.


“A porta 36 é muito especial. É a verdadeira capacidade humana de ir além da norma, de ir além do padrão, de entrar com energia plena para abraçar a experiência.” Ra Uru Hu


“O escurecer da Luz” na Lua Nova de Março, um pouco antes do Equinócio da Primavera, lançou as sementes deste ciclo, e agora vamos poder assistir aos resultados. É altura da colheita.



Linha 6


Estamos novamente numa linha 6, com o seu potencial de sabedoria e de otimismo. Este é um lugar de transição, visionário e autêntico. A tendência será lidar com a crise com um senso de justiça, sabendo que os sentimentos puros conduzem a crises que são corretas. Ou deixar-se levar pelo cinismo de ver que apesar da verdade de sentimentos, a crise surge sempre.


A linha 6 nem sempre se envolve. É preciso que veja que a experiência vale a pena e que conduz a algo mais. Por isso, quando a crise surge, geralmente é potente.


A chave é libertar todas as expetativas e aceitar cada experiência pelo que é, lembrando que sempre que há crise estamos num ponto do ciclo, e a natureza do ciclo é mudar.


Aqui aplica-se o velho ditado: "depois da tempestade, vem a bonança".


Só que enquanto estamos no barco, no meio da tempestade, de nada adianta pensar no futuro. O que nos salva é agarrar o leme, virar as velas, tentar navegar nas ondas. Provar o sal. Tentar vislumbrar o brilho de uma estrela guia na revolução das nuvens.


Viver a experiência, por mais caótica que seja, é o que faz de nós humanos. Júpiter e Neptuno, também no Plexo Solar, ajudam-nos a lidar com frontalidade e de forma organizada com o turbilhão de sentimentos.


Como linha de transição, a linha 6 está a olhar para o que vem seguir. Da crise emocional, ela quer passar para a inocência e o altruísmo.


Nesta lunação podemos ter o desejo de efectuar alguma ação desinteressada e pura, que esteja de acordo com os nossos sentimentos verdadeiros.


Podemos sentir necessidade de contar ao mundo a nossa experiência, de partilhar a nossa história. Trazemos vincadas na pele as feridas abertas pelas chicotadas de água. Exibimos as cicatrizes provocadas por fogo e vento. São carimbos de uma experiência vivida na sua plenitude.


Nesta lunação, é possível que dês por ti a dizer a alguém:


- Deixa-me contar-te uma história...





O Plexo Solar


O Plexo Solar está a desenvolver-se como centro de consciência do espírito. Esse processo envolve uma mutação que está prestes a ocorrer e que vai mudar a forma como todos vivemos neste planeta.


Quando o Plexo Solar está definido num gráfico, torna-se a Autoridade Interna para a tomada de decisões. Isso significa que a pessoa tem de aprender a navegar nas ondas emocionais que produz quimicamente, e saber aguardar o momento em que as águas se acalmam para poder tomar decisões corretas.


Quando o Plexo Solar não está definido, torna-se um centro receptor de emoções externas, amplificando a turbulência emocional, os estados de alegria e paixão, os desejos e as tristezas. As ondas emocionais que o atravessam são fulgurantes, mas desaparecem quando os outros deixam de estar presentes. A tendência é esconder emoções e evitar confrontos emocionais, criando uma teia de falsidades.


A maior parte dos conflitos humanos deve-se ao desconhecimento do funcionamento do Plexo Solar. Amplificam-se emoções alheias e reage-se de forma ainda mais emotiva, gerando ondas crescentes de conflito e turbulência. Facilmente se atribui a culpa aos outros.


A maior parte dos relacionamentos amorosos acontece entre Plexo Solar Definido e Plexo Solar Indefinido, pois é essa a tendência dos nossos genes. Se o Plexo Solar Definido perceber que gera uma onda emocional que irá ser amplificada pelo outro, e que basta retirar-se ou informar quando se sente em baixo ou com turbulência emocional, muitas crises podem ser evitadas.


Quanto ao Indefinido, basta-lhe perceber que está a amplificar as emoções do outro, e que é da sua responsabilidade retirar-se se forem demasiado intensas para si. Sem necessidade de calar o que sente para evitar o confronto, pode ir limpando o campo emocional apenas pelo facto de partilhar a sua verdade.


Assim, juntos, podem construir uma relação saudável e verdadeira, que é o que se pretende nesta Nova Era de Inteligência Espiritual.


Tudo começa por uma simples percepção de como funciona a mecânica dos centros.


Aproveita esta Lua Cheia para te sintonizares ao teu Plexo Solar e à beleza dos sentimentos. Para isso basta escreveres aquilo que sentes, como forma de limpar e ordenar as tuas águas emocionais.


Percebe se tens algo importante a comunicar a alguém. Se não conseguires fazê-lo, pelo menos escreve e lê em voz alta, imaginando que falas com a pessoa.


Cria espaço dentro de ti para novos sentimentos, ao limpar as velhas feridas. A melhor cura é o perdão e começa por te perdoares a ti.


Com o Human Design temos, pela primeira vez na História da Humanidade, a capacidade de observar essa mecânica e de obter soluções práticas, algumas delas imediatas.


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Desejo-te uma excelente e mágica lunação!



* a Mandala e o Rave Bodygraph são marca registada da Jovian Archive.


 

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