• Susana de Sousa

A Lua Cheia de S. João

A última Lua Nova falava da nossa capacidade de nos governarmos a nós mesmos e às nossas tribos (A Lua Nova da Governação). Através de um processo de tentativa e erro, foi-nos pedido para nos adaptarmos às condições materiais e às dificuldades inerentes aos processos de exclusão.


Será que aproveitámos as últimas semanas para nos assumirmos como exemplos de seres íntegros e verdadeiros? Ou continuamos a viver na ilusão?


No dia 24 de Junho, a mágica noite de S. João, a Lua encontra-se no Centro do Ser, assumindo-se como um Modelo apto a expressar de forma perfeita as normas através da ação, mais do que por palavras.


Seremos hipócritas, dizendo aos outros: “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”? Ou conseguiremos assumir o nosso papel com honestidade?


Uma das minhas histórias preferidas é o Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare. Cheguei a adaptá-la a filme, só para viver dentro da sua magia.



Essa história passa-se na noite de S. João, num bosque encantado, e relata as confusões de dois casais humanos com amores desencontrados, os feitiços de Puck, a paixão da Rainha das Fadas por um ator com cabeça de burro, entre outras aventuras estranhas.


Nesse mundo liminal que é o bosque encantado, onde subitamente as regras deixam de fazer sentido e tudo se torna misterioso, exploram-se comportamentos ilusórios. Nada é o que parece ser.


Titânia, a Rainha das Fadas, desperta do seu sono e apaixona-se por um ator com cabeça de burro. Não está verdadeiramente apaixonada: Puck enfeitiçou-a com o néctar de uma flor mágica.


Dentro de cada um de nós também pode existir uma Titânia ilusoriamente apaixonada por um burro. É tão difícil ver a realidade por aquilo que ela é. Quem quer olhar de frente para a Crise, o Escurecer da Luz, e enfrentar os traumas que carregamos nas nossas células?


O que nos diz este trânsito lunar? Pede-nos para sermos objectivos na nossa análise dos aspectos do Ser, explorando os extremos para encontrar o ponto mais fraco.


Estaremos no lugar certo, com as pessoas certas? Teremos a intuição e a sensibilidade para seguir a direcção correta para que o nosso Ser Verdadeiro se possa expressar? Seremos capazes de amar o que verdadeiramente importa (nós mesmos)? Estaremos a experimentar a vida na sua plenitude, sabendo gerir a carga emocional das experiências e aventuras para as quais somos impulsionados?


No bosque encantado, as personagens têm um desejo aceso de sentir, de amar, de experimentar uma nova aventura emocional. Mas tudo é confuso, como num sonho.


Felizmente, na Lua Cheia algo é revelado. A luz incide no focinho do burro e Titânia desperta da sua ilusão.


De mesma forma, podemos encontrar algum aspecto nosso pouco favorável. Assim, teremos a possibilidade de ver o que não funciona e corrigi-lo. Eventualmente, podemos ser um modelo para os outros, prevenindo-os para que não cometam o mesmo erro.


Que alegria, podermos oferecer um pouco de sabedoria otimista para os outros! Ainda que o erro nos tenha custado alguns dissabores.



Sol na 15


No artigo sobre o Solstício (Um Solstício modesto e influente) falei da porta 15, a porta do Extremos - Modéstia e do amor à Humanidade.


Esta é a única porta que existe em todas as formas vivas, desde o ser humano à célula. Ra Uru Hu diz-nos que "é a única porta universal e é algo extraordinário".


A porta 15 faz parte do Canal do Ritmo, o desenho de estar no fluxo. Quando estamos no fluxo, tudo acontece sem esforço e a vida parece mágica.


Tenho esse canal no meu desenho e sei a diferença de viver uma vida caótica ou de estar a fluir ao meu próprio ritmo. Coisas mágicas acontecem quando me permito seguir o ritmo do meu Ser Verdadeiro, e tudo se bloqueia na minha vida quando resisto ao fluxo da minha essência.


Para poder fluir, devo seguir a resposta do meu Centro Sacral. Chegam a acontecer situações caricatas quando não o faço. Lembro-me se estar sentada numa sala de cinema a olhar para a tela em branco, num dia em que me forcei a ir ao cinema após ter recebido uma resposta negativa do meu Sacral. O filme simplesmente não passou, como que para me ensinar que vida não acontece quando eu não me permito ser verdadeira.


Quando respeito o magnetismo deste canal, a vida decorre como se eu estivesse a viver num conto de fadas. Sinto-me totalmente conectada ao mundo natural e aos seus padrões. As árvores, os planetas, as pedras e as estrelas comunicam comigo.


Nesta Lua Cheia mágica, podemos todos sentir o magnetismo do fluxo da vida e conectar-nos aos padrões aperfeiçoados da existência, ajustando a nossa energia, de modo a prevenir comportamentos errados, como aquele que me levou a uma sala de cinema inactiva.


É um bom momento para nos sintonizarmos com o mundo natural e a sua consciência: com Gaia, com as árvores, com os animais, com os elementais, com as Fadas.


"Encontramos estes seres de outros mundos em muitas mitologias e contos, e o seu poder é de tal forma que a designação “contos de fadas” passou a abarcar quase todas as histórias, mesmo quando as fadas não estão presentes.


Elas na verdade são todos os seres da Natureza e dos elementos: as ninfas, as nereidas, as dríades; espíritos que habitam nas florestas, rios, cavernas e oceanos.


Shakespeare falou-nos deste povo no “Sonho de uma noite de verão”, trazendo a magia de Titânia, Óberon e Puck para a arte popular. Marion Zimmer Bradley evocou-as sabiamente no romance “As brumas de Avalon”.


Muitos artistas tentam dar-lhes corpo e voz, pois elas trazem vida a uma parte da nossa alma que é vibrante, poderosa e extremamente bela.


As fadas vivem para lá do visível e falam com a voz da Deusa, enchendo-nos de sonhos de terras distantes onde as flores são sempre eternas.


Esses sonhos talvez nasçam naquela zona do nosso inconsciente onde o divino toca o humano com maior proximidade." A Maçã Dourada




Canal da Transitoriedade


Seguindo a inspiração deste trânsito lunar, vamos fazer um acrescento à história de Shakespeare.


Podemos imaginar que enquanto os apaixonados correm pelo bosque, Mercúrio e Neptuno conversam numa clareira. O Mensageiro dos Deuses queixa-se ao Rei dos Mares:


- Tenho estado preso. Não pude progredir nos últimos dias. Está tudo em atraso. Só encontro resistência.


E Neptuno, elusivo, responde:


- Não te preocupes. Há sempre forma de dar a volta às situações. As coisas movem-se, mesmo que não se veja. Mas que a crise dói, ah, isso... dói.


- Terei de ser mais severo.


- Pode ser... mas isso traz ainda mais resistência. Teremos de investigar a origem da crise e saber lidar com ela.


Enquanto este encontro decorre, Mercúrio esbraceja. Quer mudanças e progresso a todo o custo. Neptuno, mais antigo e sabedor, tenta mostrar-lhe que a sensação de crise irá passar. Em breve, o dia irá nascer e tudo será visto a uma nova luz.


Durante este encontro, nós, humanos, recebemos a energia poderosa do Canal da Transitoriedade. Emoções ao rubro e o desejo de novas experiências podem fazer-nos sentir como os jovens apaixonados no bosque: cheios de expectativas frustradas, com fúria e raiva, vítimas de arrebatamentos e tristezas profundas.


Só que com Neptuno não dá para nos pormos a perguntar o que iremos levar da experiência. Não dá para ver o sentido. Não dá para entender nada de nada!


Principalmente se tivermos o Plexo Solar indefinido, ou se tivermos uma das portas deste canal ativadas (35 ou 36), iremos certamente sentir algum desconforto com as experiências vividas ou não vividas. Podemos encontrar-nos em crise e não ver o caminho.


A chave: não entrar nas experiências erradas! Para isso, basta seguirmos a nossa Estratégia de Vida e Autoridade.


E se nos encontrarmos num momento crítico, o melhor é pedirmos à nossa mente que se tranquilize.


Nas águas de Neptuno, Mercúrio desloca-se lentamente e não consegue ver o caminho. Terá de render-se à sabedoria da Água, a mesma Água onde o Sol se banha por estes dias:


a Água de Caranguejo, a Água da Origem, a Água Sagrada que simbolicamente representa a própria Vida.


A mensagem mais profunda desta Lua Cheia de S. João é que é tempo de amar a Vida, de nos amarmos a nós mesmos e de estender esse amor à humanidade.


Estamos sob influência da linha 6, pelo que o momento é de optimismo. A coroa caiu na Lua Nova e chegou o momento de apanhá-la e colocá-la no seu devido lugar.


Mas é preciso que cada um descubra onde gostaria de colocar a sua Coroa.


Palavras-chave da linha 6: modelo, optimismo, liderança, compaixão, objectividade, distanciamento, confiança, visão, transpessoal, profundidade.



Já sabes como aceder à tua verdade individual?


A jornada através do sistema de Human Design começa com uma sessão que te desvenda a base daquilo que é a tua essência, oferecendo-te uma fórmula que te permite tomar as decisões corretas para o teu Ser e aceder àquilo que é a tua verdade.


Essa fórmula é a tua Estratégia de Vida e Autoridade. Podes conhecê-la na tua primeira Análise Individual e treiná-la nas Análises de Ciclos, até adquirires a mestria que te irá permitir viver em alinhamento com a tua Verdade Interna.


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