• Susana de Sousa

A Lua Cheia dos Inícios

Ela era uma deusa antiga, senhora da prudência e da sabedoria. Ele era o senhor do Trovão, e graças a ela pôde sair da barriga de Cronos e tornar-se rei dos Deuses. Ela era Métis e ele era Zeus.


Uma profecia revelou um perigo. Se Zeus tomasse Métis como esposa, ela daria à luz um filho mais forte do que o pai, que o iria destronar.


Zeus não arriscou: comeu Métis. Um dia, começou a sentir uma forte dor de cabeça. Pediu a um dos filhos que lhe abrisse a cabeça e de lá saiu uma deusa já adulta, armada e pronta para a guerra: Atena, deusa da guerra e da sabedoria.


Este mito fala de um nascimento peculiar em que, em vez de um bebé, algo nasce já totalmente criado. Ainda assim, trata-se de um nascimento que surge após um período confuso, em que não se percebe muito bem a direção que as coisas vão tomar.


Atena veio trazer ordem, mas antes da ordem houve uma deusa devorada por um deus e uma cabeça que teve de ser aberta para o emergir da deusa guerreira. Confuso?


Talvez não mais confuso do que passarmos num caminho e vermos que onde não havia nada, hoje existem flores. Não conhecemos o esforço da semente que lhes deu origem, mas sabemos que, lá no fundo da terra, teve de enfrentar o escuro, o desconhecido, até rasgar a superfície e conhecer o brilho do Sol.


Se nos imaginarmos no lugar da semente, conseguimos ter uma pálida noção do esforço gigantesco que a Criação exige a todas as criaturas.


Uma coisa é certa: os nascimentos, sejam de que natureza for, implicam dificuldade no início. E isso implica confusão.



Confusão no Sacral


A Lua Cheia de 20 de Outubro (com o seu auge às 15h57, em Portugal) fala-nos de uma energia imatura que se pode tornar explosiva, conduzindo a uma aceitação ilimitada de orientação.


Enquanto o Sol ativa a porta dos Valores (porta 50) a Lua está do lado oposto, a tentar passar despercebida na porta 3.


“A porta 3 é muito confusa. No momento em que estás confuso e alguém te mostra o caminho, ainda ficas mais confuso porque estás a ser guiado por alguém que está tão confuso como tu.” Ra Uru Hu


O Centro Sacral, o nosso motor de força vital criativa, é o foco desta lunação. O potencial de uma mutação individual acontecer quando menos se espera, dando origem a um início, não assegura por si só uma ordenação tranquila do processo.


Algo novo pode realmente surgir, num pulso, mas quer estejamos a ser orientados por alguém que nos potencie, ou por alguém que ainda nos traga mais instabilidade, iremos sentir a dificuldade inerente aos inícios.


Além disso, estamos numa linha 2, a linha Eremita, que não aprecia sair da sua toca secreta, mas está sempre a chamar os outros sem se aperceber. Pode até haver um potencial começo, mas perante a adversidade, a tendência pode ser um retiro.


Já tínhamos visto que o ciclo lunar iria requerer esforço, com a Lua Nova da Profundidade, e que o Equinócio nos falava de boa sorte que se adquiria com esforço e dedicação.


Se o nosso empenho for validado com a força do nosso propósito, teremos a possibilidade de um novo início em que podemos manter os nossos valores, perante a oposição ou o condicionamento.


Por outras palavras, temos de nos alinhar à nossa essência e saber dançar com a vida para conseguirmos manifestar algo novo que nos potencie e seja transformador. Se, pelo contrário, seguirmos a orientação externa, ignorando a nossa Estratégia de Vida e Autoridade, ficaremos ainda mais instáveis.


Para ajudar ou dificultar (tudo é dual!), o Canal do Carisma ajuda a trazer o poder criativo do Sacral à sua expressão impactante no agora, mas facilmente nos torna demasiado ocupados, a fazer coisas que não nos fazem bem. Podemos ficar escravizados, numa instabilidade demasiado confusa para pôr ordem seja no que for. (Atenção: sacrais indefinidos!)


Em termos colectivos, podemos ter a humanidade refém de uma grande confusão com o surgimento de algo novo, que provoca stress, ansiedade, indecisão, e uma compulsividade que pode resultar em atividade desnecessária.



Atena


Comecei este texto com a referência ao nascimento da deusa Atena. Tal como a Lua Cheia dos Inícios, esta deusa fala-nos de guerra e de sabedoria.


Todos temos a capacidade de escolher entre reactividade e paz interna. Perante situações difíceis, quando reagimos de forma impulsiva, já sabemos que vamos agravar a energia que se apresenta. Se, em vez disso, nos limitarmos a observar e a aprender com as situações, a partir de um lugar interno de amor e serenidade, conseguimos transmutar energeticamente tudo na nossa vida.


Atena é um arquétipo poderoso para nos ajudar a lidar com situações desafiantes. Por um lado, protege-nos, tornando-nos resistentes às situações externas. Por outro lado, oferece a visão clara, prudente e assertiva, para que possamos saber o que fazer.


Assim, evocar esta deusa durante a Lua Cheia dos Inícios pode trazer-nos a estabilidade e a determinação que nos permitam manter o rumo certo, despertando os nossos dons internos para a criação de algo inovador e genial.


Palavras-chave da Linha 2: natural, projecção, democrata, dons internos, autonomia, talento natural, harmonia, genialidade, solidão, ser chamado.



Trabalhar com arquétipos

O inconsciente não se desvela facilmente. A linguagem simbólica foi, desde sempre, uma ponte para transformar as sombras do inconsciente em verdadeiros tesouros.


Deixo-te um exercício simples, para que possas experimentar a transformação que é possível quando se trabalha com arquétipos:


>>> a jornada em busca de sabedoria

Desejo-te uma excelente e mágica lunação!



* a Mandala e o Rave Bodygraph são marca registada da Jovian Archive.


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