• Susana de Sousa

A Lua Nova do Distanciamento

Era uma vez um deus.


Quando surgiu, não havia nada. Tudo era ele e ele era tudo.


Aborrecido por se sentir só em si mesmo, começou a desenhar constelações. Soprou luz em pedaços de pedra e fê-las rolar pelo vazio. Acariciou o fogo no seu coração e deu sentido à dança dos astros.


Depois, criou seres que entendessem a sua linguagem secreta. Dotou-os de inteligência para que soubessem ler os mistérios.


Eles conheciam o brilho das estrelas. Nomeou-os: jade, diamante, quartzo, lápis-lazuli, obsidiana, coral, prata, ouro...


Eles sentiam o fluir das estrelas nos seus corpos. Nomeou-os: rosa, carvalho, tamareira, rosmaninho, narciso, junco, girassol, figueira, alfazema...


Eles sabiam ler as estrelas nos seus corações. Nomeou-os: cavalo, borboleta, andorinha, gato, serpente, formiga, golfinho, colibri...


Só parou quando percebeu que faltava criar um ser que também fosse dotado do dom da Criação. Capaz de criar sentido, de gerar mistério, de dar vida a novas palavras e a novas formas.


Com grande entusiasmo, criou-nos a nós, a mim e a ti, que lês estas palavras.


Neste momento, observa-nos e aguarda. Aguarda o momento mágico em que consigamos penetrar o sentido profundo das mensagens que deixou especialmente para nós.


A grande questão é: o que vamos fazer com este dom divino?



Os trânsitos lunares


No dia 31 de Outubro de 2020, comecei a escrever sobre os trânsitos lunares. Era Samhain, e os véus entre mundos estavam abertos, convidando-me a espreitar a linguagem simbólica que dá acesso ao mundo espiritual.


É disso que se trata: através de um sistema, de qualquer sistema simbólico, conseguimos chegar ao outro lado e recolher os tesouros invisíveis, para tentar dar-lhes forma aqui na Terra.


Nesse dia em que comecei a escrever sobre a Lua, o Sol estava na porta 44 (Ir ao encontro – Estado de alerta). A Lua, a Terra e Urano estavam na porta 24 (O Retorno – Racionalização), em conjunção exata, e a criar um canal com Plutão na porta 61. O canal é o Canal da Consciência, o desenho de um Pensador.


Nesse primeiro texto escrevi:


Este canal liga o Centro da Cabeça ao Centro Ajna através do circuito individual, onde uma mutação súbita pode emergir a qualquer momento. O que pode ser conhecido? Onde reside a verdade interior? Que insights surgirão a partir deste encontro? O circuito individual é imprevisível, e com a interferência de Urano podemos já escutar os estalidos de algo a explodir.

É tempo de permanecer em alerta e tentar perceber o que não cheira bem, confiando no nosso talento natural para descobrir a direção correta. Se seguirmos a nossa Estratégia de Vida e Autoridade, conseguiremos ir ao encontro do que é correto para nós e libertar os medos ancestrais que trazemos nas nossas células. Estamos na etapa final do Quarto da Dualidade, onde tivemos a oportunidade de aprofundar as nossas interconexões, e o caminho que o Sol nos aponta começa a dirigir o nosso instinto para a transformação. De quê? Da nossa relação connosco mesmos, com o nosso corpo, com o nosso sistema imunitário... e, por extensão, a nossa relação com os outros sistemas de que fazemos parte. Que nos trazem saúde e segurança. Seremos capazes de lidar com o egoísmo e ver mais longe? Seremos capazes de sentir verdadeira compaixão pelos outros e por nós mesmos? E de confiar que estamos a ir ao encontro da nossa verdade?


Era uma Lua Cheia, que transbordava de informação cósmica, ativada numa linha 2 (Eremita).


A primeira chave que propus nesse texto era: o silêncio.


Nunca, como agora, foi tão importante fechar os olhos e escutar o que emerge dentro. Na nossa profundidade. O verdadeiro mistério só se revela no silêncio.


A segunda chave: os aromas.


Apura o teu olfacto para o cheiro inebriante da Natureza. O mar que purifica. A terra húmida que te dá chão. As flores, as árvores. A vitamina C. Medita ao som de taças tibetanas e acende um pauzinho de incenso ou usa um óleo essencial. Porque o Caminho é sempre dual, a escolha que fizeres durante esta lunação irá trazer desafios ou bênçãos. Escolhe. Medita.


Agora, a 4 de Novembro de 2021 (às 21h15 em Portugal) os mesmos planetas voltam a encontrar-se, desta vez numa Lua Nova, ativada numa linha 6 (Modelo). Em vez de estar na porta 24, oposta ao Sol, a Lua está agora na porta 44, oposta à Terra e a Urano.


Para mim, faz sentido terminar este ciclo em que tenho vindo a escrever sobre os trânsitos lunares, pelo menos da forma com que tenho abordado este processo. Talvez não seja por acaso: este trânsito está em conjunção exata aos meus nodos lunares inconscientes (24.6 - 44.6) e está a ser pedida uma renovação da forma.


Honrando a energia da linha 6, temos de olhar para a frente, e o que se segue são ativações que falam de processos criativos e de uma nova direção.


É preciso farejar o caminho e encontrar o poder criativo na essência do Ser.



Distanciamento


Segundo o Human Design, a cada momento recebemos a influência dos planetas, através do fluxo de neutrinos: partículas minúsculas que nascem no núcleo das estrelas e que trazem informação cósmica para os nossos centros energéticos.


A forma como recebemos esses neutrinos e como somos condicionados por cada trânsito, vai depender do nosso desenho específico. Certos aspectos que vou mencionar nesta breve análise irão influenciar mais umas pessoas do que outras.


No dia 4 de Novembro, o Sol e a Lua falam de distanciamento e pedem renovação no modo como interagimos com os outros, ajudando-nos a ter consciência dos padrões que asseguram o nosso bem-estar ou levando-nos a reforçar o ego à custa do bem-estar dos outros, com arrogância e intolerância.


A Terra e Urano estão a olhar para a possibilidade de mudança, para uma nova direção, com a suspeita de que o caminho não é por aqui. Comunicam diretamente com Plutão, senhor do Submundo, que os pressiona para conhecerem a verdade interna e assim alcançar influência e sabedoria.


Esta dinâmica é desconfortável, podendo ser acompanhada por sonhos e visões que por vezes não parecem fazer sentido. Estamos a ser chamados a conhecer a verdade por trás do véu, e temos medo, pois sabemos que há a possibilidade de nunca conseguirmos ter acesso a ela.


Entretanto, o Canal do Carisma tem estado ativado pelos nodos lunares desde Setembro, não nos oferecendo grande espaço para mergulhar no silêncio. Nesta lunação, vai permitir-nos uma abertura para a contemplação e o retiro ascético, criando um vínculo com Vénus, para que possamos Despertar através do isolamento.


Para alguns, esse isolamento será um exílio zangado. Para outros, a solidão será enriquecida por funções mentais, permitindo-lhes beneficiar da Inspiração oferecida pelo Canal da Consciência.


Mercúrio leva-nos a pensar em valores, a questionar quais os princípios que conseguimos manter sem termos que adaptar-nos. Há que aprender a ir ao encontro dos outros, ao mesmo tempo que preservamos o nosso espaço interno.


Marte oferece a sua força guerreira, mas mostra que por vezes é preciso dar um aperto de mão ao Diabo. Certos princípios podem ter de ser sacrificados neste jogo que é a vida. Se percebermos que estamos numa luta, a tendência será aceitar qualquer aliança para chegar à vitória.


Júpiter irá forçar-nos a fazer escolhas, a rejeitar o que já não serve, com vista a criar uma nova organização, que Saturno ajudará a estruturar, tentando maximizar o seu potencial para trazer benefícios colectivos.


Neptuno, na profundidade emocional em que se encontra, não nos permite ver de que forma podemos abrir-nos para os outros, mas traz-nos uma “simplicidade mediúnica que rejeita rituais complexos”.


Está a nascer uma nova tendência, um novo caminho para a Humanidade, muito simples e muito profundo.


A solução que vejo é cada um de nós assumir a sua própria forma de viver em alinhamento, sem ter de recorrer a modelos antigos.


A essência divina permite-se tocar por qualquer um de nós, sem necessidade de rituais complexos, de fórmulas, de obediências forçadas.


Esta Lua Nova está a mostrar o caminho: é preciso Distanciamento, instinto e faro para chegar lá.


Permite que as respostas venham até ti, através do teu próprio ADN, da sabedoria que carregas dentro, da memória que te liga ao momento da Criação.


Entrega-te e Confia, arriscando jogar a tua própria Verdade. Atira os dados. Do outro lado, o deus criador devolverá as chaves do sucesso.




O Fim do Ciclo


E agora que terminei este ciclo de análises dos trânsitos lunares, observo que comecei na Cruz dos 4 Caminhos e terminei na Cruz da Encarnação*.


A Cruz dos 4 Caminhos faz evoluir em simultâneo a consciência e a forma, através da revisão de conceitos mentais: o que é, onde está, quem é Deus?**


A Cruz da Encarnação procura manter o passado vivo, revisitando-o e mostrando a nossa interconexão, tentando responder à questão: o que significa encarnar?**


Talvez os artigos que escrevi possam ter dado pistas. Para mim foi um processo de descoberta muito profundo, em que me conectei ainda mais com a Lua e os restantes astros.


Percebi que todo o meu processo é uma tentativa de chegar a Deus e de trazer para a matéria esse potencial divino. Não será à toa que os meus nodos lunares, quer no consciente, quer no inconsciente, são precisamente as portas que a Lua ativou no primeiro e no último trânsito.


Como podes ver, cada um de nós tem os seu próprio processo diferenciado, e o meu passou por escrever sobre 13 ciclos lunares para chegar ao Divino. O mesmo tempo que Ceridwen levou a preparar a sua poção mágica da Sabedoria.


Se para ti estas reflexões foram úteis, convido-te a partilhar aqui nos comentários.

Desejo-te uma excelente e mágica lunação!



* As cruzes de encarnação resultam da combinação das portas e linhas onde se posicionam o Sol e a Terra, quer no consciente, quer no inconsciente. Como traçam uma polaridade (Sol está sempre em oposição à Terra), desenham uma cruz na mandala. Dão indicações acerca do propósito de vida de uma pessoa e quando analisadas em trânsitos, dão pistas sobre o potencial evolutivo. Existem 192 cruzes de base. Uma delas, a que será ativada nesta Lua Nova, tem o mesmo nome que é dado às cruzes em geral: Cruz da Encarnação (ou Cruz da Incarnação).

** "O Livro Definitivo de Human Design - a Ciência da Diferenciação", Lynda Bunnell e Ra Uru Hu

***a Mandala e o Rave Bodygraph são marca registada da Jovian Archive.


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