• Susana de Sousa

Um Samhain cheio de Inspiração

Chegou o tempo da Deusa Negra. Com os dias cada vez mais curtos, a Terra volta-se para o seu interior, sacudindo as folhas ressequidas dos seus ramos e permitindo que a folhagem seja absorvida no Submundo.


É um período em que se prepara uma alquimia profunda, em que o véu entre mundos se desvanece, em que aquilo que já não tem sustentação precisa de ser sacrificado.


Para os Druidas, o Samhuinn era um tempo de ausência de tempo. Durante 3 dias, reinava o caos, faziam-se partidas, invertiam-se os papéis sociais, destruía-se propriedade, brincava-se. As crianças iam de porta em porta pedir guloseimas, um costume que ainda perdura.


É o período em que todos nós somos convidados a descer ao tronco oco e visitar o Submundo.


"As descidas ao Submundo servem para encontrarmos respostas; para nos tornarmos inteiros e livres; e, sobretudo, para despertar o nosso poder interno: o poder serpentino da kundaliní." A Maçã Dourada


O senhor do Submundo, Hades ou Plutão, coloca o seu olhar sobre nós de forma intensa. Não há como escapar ao seu escrutínio nesta época do ano. O convite é: permite-te transformar, renascer, regenerar, curar, libertando tudo o que já não serve ao teu propósito.


Quando resistimos, sentimos dor.



Plutão no Centro de Inspiração


Plutão, o planeta que opera na profundidade, tem estado a mudar a forma como acedemos à Inspiração e à Verdade Interna, empurrando as sombras que se alojam na nossa mente, para que se tornem visíveis.


Para lá da porta 61, o que existe é todo o incognoscível, o Inconsciente Colectivo, os "mundos invisíveis", o campo quântico universal. Enquanto Plutão se dedica a este trabalho, Urano tem vindo a captar a Inspiração e a dar-lhe novas formas, com o Canal da Consciência a criar um fluxo de pressão mental que afecta toda a humanidade (principalmente quem tem Cabeça e Ajna indefinidos).


Este canal estava ativado há 2 anos, quando recebi a Visão das Maçãs Douradas. Foi no Samhain, na Cruz dos 4 Caminhos, quando o véu se rompeu e me permitiu espreitar os "mundos invisíveis" e ter um vislumbre do futuro.


O Sol na porta 44 permite-nos ter acesso à memória celular, à informação que os nossos antepassados nos legaram, vida após vida, através do nosso ADN. A Terra na porta 24 junta-se a Urano para trazer à matéria as verdades antigas que carregamos nas nossas águas internas.


Este ano teremos um Samhain que se inicia na linha 2, pelo que é possível que haja um rasgo de genialidade, mas também uma tendência para o isolamento. Mais do que andar pelas ruas a celebrar o Halloween, o convite para noite de 31 de Outubro é para ficar em casa e fazer a conexão com a nossa ancestralidade e com aqueles que nos acompanham do outro lado do véu.



O caldeirão de Awen


Muitas histórias vivem do outro lado do véu, mas há uma na qual podemos beber inspiração para nos ajudar a elevar a nossa consciência e a operar uma transformação mágica, aqui e agora.


Num período em que o véu entre mundos ainda não se tinha formado, em que o real e o sobrenatural respiravam no mesmo espaço, a magia não era estranha.


Ceridwen movimentava-se por esses dois mundos, tal como a Lua se movimenta pela luz e pela sombra.


Como um dos seus filhos nasceu sem beleza e sem inteligência, Ceridwen decidiu criar um elixir para lhe conceder sabedoria. Durante um ano e um dia (ou, seja, durante 13 ciclos lunares) era preciso manter o fogo do seu caldeirão aceso, sem parar de mexer o conteúdo mágico.


Um homem cego ficou a tratar do fogo, enquanto um rapazinho, Gwion, ficou encarregue de mexer a poção.


Gwion, por acidente, foi queimado pelo fogo, que fez com que 3 gotas caíssem nos seus dedos. Por instinto, Gwion lambeu os dedos, recebendo assim a sabedoria (Awen) que era destinada ao filho de Ceridwen. Nesse momento, recebeu o conhecimento acerca do passado, do presente e do futuro. Tornou-se Uno com o Todo. E ficou a saber que Ceridwen o iria tentar matar.


O caldeirão explodiu, pois apenas as 3 gotas eram benéficas, e tudo o mais era veneno. Gwion começou a fugir, sendo perseguido por Ceridwen. Primeiro, ele transformou-se numa lebre e Ceridwen transformou-se num cão de caça. Quando ela estava quase a apanhá-lo, ele transformou-se num peixe e Ceridwen numa lontra. Depois, ele transformou-se num pequeno pássaro e Ceridwen num falcão. Lá de cima, ele reparou num monte de trigo e transformou-se num grão, pensando que dessa forma iria escapar. Mas Ceridwen metamorfoseou-se em galinha e não desistiu até conseguir comer o grão.


Nove meses mais tarde, Ceridwen deu à luz um bebé, que sabia ser Gwion. Decidiu matá-lo, mas ele era tão belo que Ceridwen acabou por lançá-lo às águas do mar. O bebé foi encontrado por um príncipe. Encantado com a beleza da criança, o príncipe deu-lhe o nome de Taliesin (Fronte Radiante ou Testa Brilhante) e tornou-se seu pai adoptivo. No caminho para casa, o bebé já declamava poesia. Viria a tornar-se o mais famoso bardo de sempre.


Esta história fala-nos de um tempo mágico, um tempo ao qual podemos aceder quando os véus entre os mundos se tornam ténues, como agora.


Provar o elixir da Sabedoria só é possível quando o fazemos de forma inocente. O fogo queima, chamando-nos, e as 3 gotas simplesmente caem-nos nas mãos.


É o mundo além do véu que nos chama, para nos oferecer Inspiração e Sabedoria. Mas esse processo geralmente vem acompanhado por um período turbulento de alquimia e transformação, em que precisamos de trabalhar com as nossas emoções, a nossa vida material, os nossos instintos, os nossos pensamentos, e a nossa espiritualidade.


São transformações mágicas, que nos podem fazer sentir medo, mas que se forem efectuadas com a correção necessária, nos elevam a todos os níveis.


Tal como Ceridwen, tenho vindo a mexer o caldeirão ao longo de 13 ciclos lunares, agitando a poção mágica da sabedoria. Iniciei os textos sobre os ciclos da Lua precisamente há um ano, num post que publiquei no Instagram.


Nesse texto escrevi:


Nunca, como agora, foi tão importante fechar os olhos e escutar o que emerge dentro.


Na nossa profundidade.


O verdadeiro mistério só se revela no silêncio.


Passou um ano, e aprendi muito com os ciclos lunares. Mas falta um dia para que a poção fique pronta. Um novo texto virá na próxima Lua Nova.


A sabedoria da Maçã Dourada


A história de Ceridwen figura no capítulo "Uma voz esquecida" do audiolivro "A Maçã Dourada". Podes explorar essa e outras histórias na jornada de expansão da consciência que foi inspirada pelo brilho das maçãs, numa visão que recebi precisamente no Samhain.


Os véus entre os mundos estavam tão finos que a magia chegou ao lado de cá e eu só tive de estender a mão.


Recebe tu também...


>>> A Maçã Dourada

Desejo-te um Samhain profundo e cheio de revelações!



* a Mandala e o Rave Bodygraph são marca registada da Jovian Archive.



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