• Susana de Sousa

O Human Design e o Sagrado Feminino


"Sou um admirador de Tanit.", diz Ra Uru Hu, o fundador e mensageiro do Human Design.


“É claro para mim que Tanit foi a deusa que trouxe a primeira compreensão dualista acerca da natureza do Ser. Uma força poderosa e um símbolo maravilhoso, nesse sentido, ela é uma metáfora para tudo o que é importante para mim. É por isso que passei tantos anos com a lógica deste conhecimento para verificar o PRINCÍPIO DA FORMA.” Ra Uru Hu


Tanit, a antiga deusa fenícia, é o arquétipo da Deusa-Mãe, do princípio da Forma. Senhora do Céu, das Estrelas, do Sol e da Lua, mas também da Terra, do corpo, da Matéria. Faz assim a ponte entre o domínio celestial e espiritual, e o mundo concreto da forma.


Uma das premissas do Human Design é a de que não devemos usar a Mente como Autoridade para a tomada de decisões. O que devemos usar, então? Para cerca de 90% da população, um dos centros que se localiza na zona da barriga: Plexo Solar, Sacral ou Esplénico.


O Human Design faz-nos olhar para algo que era sagrado há milénios, para algo que as estatuetas da Deusa nos revelavam de forma óbvia: as enormes e proeminentes barrigas.


Será que o Corpo da Deusa contem mais do que o segredo da reprodução humana? Poderá também dar-nos a chave da transcendência desse mesmo Corpo? Poderá revelar-nos o caminho para uma vida alinhada com a essência espiritual e terrena?


Será a Deusa um Portal para que o Divino se cumpra na Matéria?


“No nível mais básico, a Deusa é a Terra, No nível seguinte, o nível arcaico, Ela é o Céu circundante. No nível filosófico, Ela é Maya, as formas da sensibilidade, as limitações dos sentidos que nos contêm de forma a que o nosso pensamento ocorra dentro dos seus limites - Ela é ISTO. A Deusa é a última fronteira da consciência no mundo do tempo e do espaço." Joseph Campbell



Os neutrinos


É difícil não reparar nas semelhanças entre as imagens de Tanit e a Mandala do Human Design. Mas, na prática, existirá alguma relação entre a antiga deusa fenícia e o mapa transmitido pela "Voz" (entidade mística que comunicou o Human Design a Ra Uru Hu)?


Comecemos pelo básico: as partículas que tornam possível a comunicação e a ligação entre as Estrelas e aquilo que somos nós.


Tal como na Índia se conhece há muito tempo o prana, a força vital invisível aos nossos olhos, hoje já temos conhecimento da existência de neutrinos. Os neutrinos são partículas tão subtis que durante muito tempo se achou que não possuíam massa, apenas energia.


Ra Uru Hu disse que os neutrinos tinham massa ainda antes da ciência o afirmar. E tendo massa, e movendo-se em grandes quantidades e a grande velocidade, eles tocam-nos e “marcam-nos” com certo tipo de energia. É como se estivéssemos mergulhados num oceano etérico, que subtilmente interfere connosco, e que nos conecta ao Cosmos, pois é de lá que parte esta onda de neutrinos: são produzidos no núcleo das estrelas.


Para percebermos melhor como funciona este processo, podemos utilizar a imagem da mandala ou círculo. O círculo é o símbolo da totalidade. Com o círculo podemos representar a nossa posição no cosmos, a nossa dança com os planetas, para percebermos de que forma é que eles nos influenciam.


Vamos então usar a imagem de um círculo. Imaginando que nos encontramos no centro desse círculo, podemos observar que na circunferência em nosso redor há 64 portas que abrem para o Cosmos – são os 64 hexagramas do I-Ching e têm correspondência com o nosso código genético.


Em redor do círculo, transitam os planetas e as estrelas. Como estamos a observar da perspectiva da Terra, todos os corpos celestes se deslocam em nosso redor: o Sol leva 365 dias a percorrer todo o círculo, a Lua leva apenas cerca de 28,5 dias a fazer a volta completa. Há planetas que durante a nossa vida apenas irão percorrer uma parte do círculo, como Plutão, pois leva cerca de 248 anos a dar a volta à mandala.


Além dos planetas, existem muitos outros objectos celestes que nos influenciam, mas para já vamos somente considerar os 13 objectos que segundo o sistema de Human Design são os que nos conferem definição: Sol, Terra, Lua, os Nodos lunares (Nodo Norte e Nodo Sul), Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano, Neptuno e Plutão. Embora nem todos sejam planetas, vou usar a definição de planeta para simplificar, pois o sistema em si já é demasiado complexo.


Sempre que um planeta passa por uma porta, é como se ele abrisse a porta, tocando-nos suavemente com a sua energia que é transportada pelos neutrinos. Depois, é como se o planeta voltasse a fechar a porta e seguisse o seu caminho.


Isto é o que imprime movimento, vida, mudança, à nossa existência.


No entanto, há dois momentos-chave na nossa vida em que os planetas abrem as portas e as deixam ativadas de forma permanente: o momento em nascemos e o momento que ocorre cerca de 89 dias antes do nascimento.


O que acontece nesses dois momentos?


No momento do nascimento, somos ativados pelos neutrinos com a energia dos 13 planetas. Essas ativações ficarão connosco durante esta incarnação. São ativações conscientes, com as quais nos identificamos.


Mas cerca de 89 dias antes do nosso nascimento, os 13 planetas ativaram outras portas, e essa informação ficou registada no nosso corpo, que é o veículo que temos para poder navegar nesta vida. São ativações que ficam registadas no nosso inconsciente. Sem acesso a elas, apenas podemos observar que surgem na nossa vida, por vezes surpreendendo-nos.


Imaginando então que estamos no centro do círculo que representa quem somos, podemos ver que a energia das portas abertas nesses dois momentos-chave vai estar sempre presente. Isso não é limitador, porque o círculo continuará a ser ativado em todos os instantes da nossa vida.


O movimento dos astros é contínuo. Vai estar sempre a trazer-nos novidades e oportunidades de crescimento.



O mapa do Ser Verdadeiro


Os dois momentos-chave em que fomos ativados vão oferecer-nos uma dádiva: vão permitir-nos saber quem somos. É como se tivéssemos um mapa que nos vai ajudar a navegar, para não nos perdermos da nossa verdadeira essência. Vamos poder observar não só as ativações conscientes, mas também as ativações inconscientes que traduzem a nossa forma, o nosso corpo.


Sem estarmos conectados à forma não conseguimos viver o nosso ser, não conseguimos honrar quem verdadeiramente somos.


E como a forma está ligada ao arquétipo da Deusa, trazer a atenção para o corpo é reiterar a importância do Sagrado Feminino.


Há sabedoria na matéria que tem de ser honrada, coisa que não sucede em certas tradições espirituais onde se busca sair da forma, transcender a matéria. O corpo e tudo o que representa a matéria, cujo arquétipo é a Mulher ou a Deusa, tem sido agressivamente reprimido nos últimos séculos.


Jean Shinoda Bolen, que defende o regresso do Sagrado Feminino, ao explorar a simbologia do Graal afirma:

“Que o sagrado possa passar pelo corpo é negado em todo o lado pelas religiões patriarcais. Para o corpo ser outra vez considerado sagrado, a Deusa tem de regressar.”


E é interessante constatar que no Centro do Ser, onde se situa o Monopolo Magnético, responsável pela nossa direção, encontramos a Cruz do Cálice do Amor (Cross of the Vessel of Love), composta por quatro portas que ativam a nossa interconexão com o Todo e que são as fechaduras que abrem os grandes ciclos cósmicos.


Jean Shinoda Bolen descobriu que o Graal está dentro de nós de forma intuitiva, e o sistema de Human Design vem confirmar que de facto assim é.



O Sol e a Terra


Sempre imaginei que dentro de nós brilha um sol, um sol que nos atrai para o nosso caminho dourado. No audiolivro "A Maçã Dourada" narro a história do príncipe Connla, que é convidado por uma Fada para habitar com ela na Terra do Verão, que se encontra na direção do Sol poente. A Fada desloca-se numa canoa de cristal e promete ao príncipe Juventude e Imortalidade.


A história de Connla dá vida a esta imagem: o Sol é o destino da canoa de cristal e a Terra do Verão é onde Connla irá reinar.


Dentro de cada um de nós existem este Sol e esta Terra. Tal como no próprio planeta, metade da expressão de ambos reside oculta. O Sol brilha durante o dia, mas durante a noite é como se estivesse adormecido no Submundo. A Terra em que vivemos e da qual temos consciência não é a única Terra a que temos direito: existe ainda a Terra do Verão, que está secretamente a florir nas margens do “oceano azulado”.


Sol e Terra habitam dentro de nós na sua expressão consciente e na sua expressão inconsciente.


Segundo o sistema de Human Design, dos 13 objectos cósmicos que ativam as portas no nosso círculo particular, os mais importantes são o Sol e a Terra.


As portas ativadas por este duo funcionam sempre em conjunto: recebemos a luz do Sol e através da nossa vida na Terra damos forma a essa luz. Como tivemos dois momentos de ativação, consciente e inconsciente, teremos necessariamente duas portas do Sol e duas portas da Terra. São estas portas que forma a nossa Cruz da Encarnação e que nos falam do nosso propósito de vida.


Assim, recolhemos a energia das nossas portas do Sol, que têm a ver com o nosso brilho nesta incarnação, e entregamos essa energia à porta da Terra, para enraizar essa luz na matéria, para dar-lhe forma e equilíbrio.


Esta é a dinâmica do mundo! Cada um de nós tem a sua Luz solar para trazer à Terra. E essa é a dinâmica do arquétipo da Deusa.



Ativa a tua radiância


Podes fazer um exercício para sentir a força que existe em ti e ativar a energia da tua totalidade:

Imagina-te no centro do círculo, com luzes brilhantes a serem emitidas pelas portas que estão abertas, e a luz intensa do Sol a irradiar o seu brilho. Essas portas são como instrumentos musicais numa complexa sinfonia. O maestro é o Monopolo Magnético que vai dirigindo a orquestra. A música que tu emites não é igual à música de mais nenhum outro Ser. És um Ser diferenciado porque só tu, mais ninguém, possui a configuração específica que faz de ti quem és. Só tu és desta maneira.


Fica por momentos a sentir esta energia, que é tão especial e única.


Simultaneamente, percebe que algo te liga ao que existe para lá do círculo: os planetas, as estrelas, o espaço vazio do cosmos... Cada neutrino te traz um pouco do que existe lá – e são milhões de neutrinos a passar pela Terra e pelo teu corpo a cada momento.


É assim que és ao mesmo tempo um ser único, mas um ser que faz parte do Todo.


Fica a sentir esta comunhão com a totalidade, e sentirás o que é a Deusa.



Reclama o teu poder


A sociedade em que vivemos tenta colocar-nos em caixas, catalogando-nos e tornando-nos semelhantes. Dizem-nos que há uma forma certa de fazer as coisas e passado algum tempo vimos a descobrir que afinal não é assim. O que é correto para mim pode não ser correto para os outros, porque eu sou geneticamente, biologicamente, psicologicamente, emocionalmente, intuitivamente, racionalmente, espiritualmente... diferente!


O grande problema é que não sabemos qual é a nossa verdade, pois dentro de nós tudo se mistura. O mundo é uma rede emaranhada de condicionamentos que nos são impostos desde que começamos a respirar (ou ainda antes disso).


Acredito que a jornada de autoconhecimento não é um luxo, mas a nossa maior necessidade.


Se sentes que está na altura de reclamar o teu poder pessoal, convido-te a entrar na jornada:


>>> Human Design, um novo Despertar



* a Mandala e o Rave Bodygraph são marca registada da Jovian Archive

 

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